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Como escolher um assistente de IA: sete perguntas antes de assinar

Planos medem capacidade, não resultado. As sete perguntas que separam um assistente que funciona de um que vai ser abandonado em três meses.

Em março, uma empresa assinou o plano mais barato de um fornecedor de assistente. Em junho, o assistente informava um prazo de entrega de um produto que tinha saído de linha em abril, e ninguém na empresa sabia onde aquela resposta estava escrita. O modelo não falhou. Faltou combinar quem revisa a base e quando.

Toda página de fornecedor de assistente de IA tem uma tabela de planos. A tabela responde “quanto de capacidade” e não responde a pergunta que decide a compra: quem vai fazer esse assistente responder certo daqui a três meses.

As perguntas abaixo são as que eu faria se estivesse do outro lado, contratando. Servem para qualquer fornecedor, inclusive para a gente.

1. Quem escreve a base de conhecimento?

A base é o assistente. O modelo é commodity, o prompt é ajustável, e o que decide a resposta é o material que ele consulta.

Sinal bom: a empresa diz quem escreve, com que frequência revisa e como decide o que entra. Sinal ruim: “a IA aprende sozinha com as conversas”. Ninguém aprende sozinho sem alguém decidindo o que é verdade.

2. O que ele faz quando não sabe?

Essa é a pergunta que separa um assistente útil de um passivo. Todo assistente vai encontrar pergunta sem resposta na base, e o que ele faz nesse momento define o prejuízo.

Sinal bom: existe uma regra explícita — responde que não sabe, chama uma pessoa, registra a lacuna. Sinal ruim: “ele nunca erra”. Ou o fornecedor não mediu, ou está chamando de acerto o que o cliente chamou de resposta errada.

3. A que sistemas ele está ligado?

Um assistente que só repete o que está escrito no site responde o que o cliente já sabia antes de perguntar. O valor aparece quando ele consulta o que muda: pedido, prazo, agenda, estoque, contrato.

Sinal bom: a proposta lista as integrações e diz o que acontece com cada uma. Sinal ruim: “integra com tudo”. Integração é trabalho, e trabalho tem escopo.

4. Como vocês medem se está bom?

Se a resposta for “os clientes elogiam”, não há medição. Elogio não se acompanha, e o que não se acompanha não melhora.

Sinal bom: existe um número combinado antes de começar — chamados resolvidos sem humano, tempo de primeira resposta, nota de quem usou. Sinal ruim: relatório de “mensagens trocadas” e “economia estimada”. Volume de mensagem não é resultado.

5. Quem faz a manutenção quando o produto muda?

Preço muda em janeiro, procedimento muda quando a lei muda, produto sai de linha. Cada mudança dessas deixa a base desatualizada, e a resposta errada tem cara de resposta certa.

Sinal bom: existe rotina de revisão, com nome e frequência. Sinal ruim: “é só me chamar que eu ajusto”. Sem rotina, o ajuste acontece quando alguém reclama.

6. Quando o assistente passa para uma pessoa, o que ela recebe?

A passagem é onde a maioria dos projetos perde a confiança da equipe. Se a pessoa recebe “o cliente quer falar com um atendente” e nada mais, ela recomeça a conversa do zero, e o cliente repete tudo.

Sinal bom: a conversa chega com o que já foi respondido, o que o cliente quer e o que ele já recusou. Sinal ruim: a passagem é uma transferência sem contexto.

7. O preço muda com o quê?

Não precisa de tabela pública, mas precisa de critério. Quem não sabe explicar o que encarece o próprio serviço vai cobrar o mesmo de operações diferentes — e alguém vai pagar pelo que não usa.

Sinal bom: o preço é explicado por escopo: quantos assuntos, quantas integrações, quantos canais. Sinal ruim: o preço é por “usuário” ou por “mensagem”, como se o problema fosse volume de mensagem.

O que fazer com as respostas

Marque quantas das sete o fornecedor respondeu com algo verificável. Quatro é o mínimo para começar uma conversa séria. Seis é o que eu consideraria seguro para assinar.

E tem uma pergunta que não está na lista porque não se responde no site: peça para ver uma resposta real, com o nome do cliente escondido. Um print de uma conversa que deu errado diz mais sobre o fornecedor do que dez depoimentos que deram certo.

Se o seu caso é o cliente final perguntando, o caminho é atendimento ao cliente.

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Giancarlo Santos

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